Entre, retire e vá embora

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A gente pode nunca ter chegado a ficar realmente juntos, mas tanto eu como você deixou muito de nós no outro e está na hora de cada um recolher o que foi deixado.
Você, pela primeira vez em todo esse tempo, tomou a iniciativa e foi o primeiro a apanhar tudo que eu deixei aí e jogar fora. Se não jogou, com toda certeza guardou em mais uma de suas inúmeras gavetas de sentimentos que morrem calados. Já eu, mais uma vez, fui ingênua e preferi deixar tudo do mesmo jeito que você deixou, meio bagunçado, sabemos. Mas preferi não mexer em nada pra o caso de você mais uma vez voltar e fingir que nada tinha acontecido.
Antes seu jeito era algo que eu achava engraçado e que me fazia acreditar que tudo era tão forte que no final você sempre percebia que a pessoa era eu. Só que não parece que você vai voltar, e, caso volte, não acharei graça e muito menos romântico.
Tudo, exatamente tudo, um dia cansa. Não importa o que seja. Um dia vamos olhar e ver que se esse tudo virou excesso, ele também ficou cansativo. E eu cansei.
Cansei desse seu jeito bobo de agir. Das suas graças. Cansei das suas grosserias, mesmo que poucas. E também cansei do seu excesso de fofura, como sempre chamei. Cansei de mim com você, se quer saber. Mas, principalmente, cansei da espera.
Então vou fazer como você, vou tirar tudo que é seu daqui. E se puder me fazer um favor, retire aquelas coisas que só podem ser tiradas por ti. Mas na hora de fazer isso, não precisa me olhar, nem dizer que lamenta tudo e que ainda é o melhor amigo, não preciso de mentiras.
Retire tudo, não deixe nem aquilo que parece não ter importância. Acabe com tudo, seja rápido e me ignore ao máximo. E não se esqueça de trancar tudo na hora de sair e jogar a chave fora, porque caso queria novamente entrar, vai ver que você mesmo trancou tudo e acabou com as suas chances de voltar.

Música da Semana

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Macaé (Clarice Falcão)

Ei, se eu tiver coragem de dizer que eu meio gosto de você
Você vai fugir a pé?
E se eu falar que você é tudo que eu sempre quis pra ser feliz
Você vai pro lado oposto ao que eu estiver?

Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia

Ei, vai pegar mal se eu contar que eu imprimi
Todo o seu mapa astral?
Você foge assim que der, quando souber?
E se eu falar que eu decorei seu RG só pra se precisar
Você vai pra um chalé em Macaé?

Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia

Ei, se eu falar foi por amor
Que eu invadi o seu computador
Você pega um avião?
E se eu contar de uma só vez
Como eu achei sua senha do cartão
Você foge pro Japão, esse verão?

Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia

Ei, se eu contar como é que eu me senti
Ao grampear seu celular
Você vai numa DP?
E se eu mostrar o cianureto que eu comprei
Pra gente se matar
Você manda me prender no amanhecer?

Eu queria tanto que você não fugisse de mim
Mas se fosse eu, eu fugia.

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Hoje eu falei de você

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Hoje eu falei de você. Contei coisas que eu nunca tinha dito antes.
Desde que tudo passou que você se resumiu a explicações simples: “Meu ex melhor amigo”, “o amigo que eu já fui apaixonada”, “o meu amigo que se apaixonou por mim”, “o cara que eu mais gostei na vida”. Sem detalhes profundos, sem histórias só nossas, sem lembranças muito íntimas. Mas hoje foi diferente, hoje eu realmente falei de você.
Contei sobre meu medo de confiar nas suas palavras, de como eu me sentia quando você começava a se relacionar com outra pessoa, da minha espera para que você lutasse por mim, coisa que nunca aconteceu de verdade. Acabei contando dos erros que eu sei que cometi, dos que eu ainda penso se foram mesmo erros, daqueles que eu cometia em nome da nossa amizade. Sim, eu hoje falei realmente de você.
Confidenciei sobre sua importância para mim tanto antes, como hoje. Do meu temor que se tornou realidade de qualquer maneira, de como foi difícil me adaptar a uma vida sem você, da minha dúvida se deveria ou não ter tentado. Contei desse nosso “e se” e de como é difícil viver com ele, e também da forma que até hoje ele interferi na gente quando nos falamos. É, hoje eu falei de nós.
Coloquei para fora o porquê de eu ter tanta certeza que nunca mais amei ninguém, da minha fé que existe mesmo amor, da minha revolta por ter dito isso a mais alguém depois de você, mesmo quando claramente ele não mexia comigo como tu mexeste. Quando vi, já tinha falado que eu chorei de verdade quando você descobriu tudo e de como foi dolorido te deixar seguir, porque, meu bem, doeu demais.
Contei em detalhes o porquê de eu nunca ter dito um sim de verdade e o motivo que me faz não me arrepender tanto disto. Eu achava e ainda acho que foi melhor. Eu temia não estar pronta, não ser o melhor, não poder ser inteira, temia coisas que na época faziam todo sentido e, talvez, por isso, tivesse sido uma grande catástrofe ter tentando algo. Eu não estava pronta. Sim, eu também falei só de mim.
Depois eu ri enquanto lembrava de como éramos dois idiotas que riam de qualquer bobeira, das vezes em que eu levava bronca por não controlar a gargalhada com suas brincadeiras, do seu sorriso todo idiota quando eu te encarava. Mas também senti um aperto com a lembrança de que a gente nunca falou disso abertamente, pessoalmente. Será que algo teria sido diferente?
Garoto, foi difícil e ao mesmo tempo libertador, mas eu falei demais de você. E depois de contar tanto, de lembrar de tanta coisa, percebi que não contei quase nada. Ainda tenho tanta coisa só sua aqui dentro, tantas histórias apenas nossas, cada bobeira que o tempo já começou a me fazer esquecer.
Hoje eu falei de você, falei muito, mais que nunca. Mas hoje me dei conta que ainda tenho muito mais de você aqui dentro.

Voltamos!

segunda-feira, 10 de julho de 2017
Depois de quase dois meses sem nenhuma postagem, o blog está novamente ativo. Os motivos para a falta de posts são diversos, e vão desde falta de tempo à falta de um layout novo. Falando em lay novo, esse é que está no site foi Michelly Melo do blog Dezoito Primaveras.
Para essa nova fase do blog e da minha vida, a presença de mais colaboradores é quase que imprescindível, por isso, queria convir você a fazer parte da nossa equipe.
Você é bom em resenhas de filmes? Então, vem conosco!
É bom em resenhas de livros? Vem com a gente também!
Gosta de escrever e faz uns textos bem legais? Teu lugar é aqui!
Entende de moda? Vem pra cá!

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Eu sempre soube

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Eu sempre soube, desde a primeira vez que conversamos de verdade que eu sabia: eu não poderia amar você. Não foi falta de papo, se você lembrar, conversamos até demais. Não foi também a antipatia que eu tinha por você, ela foi quebrada no primeiro sorriso que tu me arrancaste. Eu soube no momento da nossa despedida, no constrangimento que foi, para nós dois, dar xau. Você me olhou com um certo nervosismo e me estendeu a mão, assim como a gente cumprimenta um chefe, eu fiquei toda embolada, sem saber o que deveria fazer, "não deveríamos nos abraçar?" pensei. Mas daí eu apertei sua mão de volta, e a gente ficou ali, se olhando com um sorriso que dizia: a gente quer mais, mas não podemos mais isso. Foi ali que eu percebi, não seria apenas o abraço que desejaríamos e não teríamos, aquilo seria a gente. Sempre.

A gente realmente não controla totalmente nossos sentimentos, mas em algum momento entre o interesse e a paixão, temos o momento de pensar: até onde isso pode chegar? Eu queria ir longe, acredite, mas eu sabia que não poderíamos ir tanto assim, por isso, não me deixei te amar. O que eu posso fazer? Depois de um amor mal sucedido, a gente começa a evitar outros. E sobre nós, eu sabia, aquilo não rolaria.
Eu senti isso no nosso segundo encontro, quando magicamente eu tive um controle que nunca tinha tido antes e te vi perder boa parte do seu. Eu não queria aquilo, não queria ser seu descontrole, porque​ eu sabia que um dia acabaria perdendo o meu também. Eu não podia amar alguém pra no fim os dois saírem com algo negativo.
Tive a certeza quando te vi seguindo a vida, você me mostrou mais do que eu conhecia. E não foi o ciúme que me fez desistir de vez, foi ver que mesmo seguindo, a gente continuava ali, em uma espécie de stand by, só pra o caso de você se arrepender. Eu não queria isso. Certeza maior foi quando a gente não sabia mais como lidar com essa vontade, quando a falta de controle tornou-se a maior verdade, baby, era mais que não poder, eu não deveria te amar. E sabe por quê? Porque, meu bem, eu não te amei, mas eu gostei muito, mais do que você merecia, e por isso eu não podia ir em frente e acabar ferindo a gente. Eu sabia que não deveria amar você.