Nós

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Antes de escrever sobre a gente eu fui reler alguns outros textos meus. Fui buscar uma inspiração maior que a gente, porque embora escrever sobre nós esteja sempre em minha mente, eu não conseguia pensar em um bom começo. Talvez porque o nosso começo não tenha tido jeito de começo.
A gente só ficou se encarando sem nem saber se era mesmo correto rolar alguma coisa. E quando as olhadas tornaram-se conversas a gente já foi logo falando do que é, provavelmente, nossa maior diferença. Sem contar o fato dos olhos atentos de quem nos rodeava. A gente começou mesmo depois que você foi embora.
E a gente começou tudo errado.
Talvez a verdade seja que nós dois, juntos, seja errado. Assim como achamos no início de tudo.
Ou talvez não, a soma de nós dois é confusa demais pra entender em apenas algumas palavras.
A verdade é que boa parte desse nosso nós se resume a isso. Aquelas idas e vindas, aquele certo e errado, o não e o sim. E pra mim, a pessoa mais insegura que conheço, isso é bem mais do que eu posso compreender. Então vem o medo.
Medo de que você possa ser o certo. De que você seja ainda mais errado do que já é. De que eu me torne o erro. E de acreditar que possamos ser um acerto.
A gente dar certo seria o final mais surreal da história. Seria surpresa pra qualquer um. E eu não conto com essa possibilidade. Eu sempre gostei do óbvio. Do prático. Da ausência de grandes surpresas.
E é por isso que assim como eu não conseguia fazer um início, eu também não sei como encerrar esse texto. Porque eu não sei como vamos terminar. E eu não quero pensar.
Eu prefiro que por hora tudo continue assim. Empurrando com a barriga? Talvez. Mas eu prefiro chamar daquele velho clichê. Eu chamo de viver um dia de cada vez.

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